Autor: Antonio M. F.

Tradução: Luísa Coelho

CAPÍTULO 12 — A DESOBEDIÊNCIA DO HOMEM

“Mas a serpente era astuta, mais do que todos os animais do campo que Jeová Deus tinha feito; a qual disse à mulher: É assim que Jeová Deus vos disse: Não comais de toda a árvore do jardim?

E a mulher respondeu à serpente: Do fruto das árvores do jardim podemos comer; mas do fruto da árvore que está no meio do jardim disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais.

Então a serpente disse à mulher: Não morrereis; mas sabe Deus que, no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal.

E viu a mulher que a árvore era boa para se comer, e que era agradável aos olhos, e árvore desejável para alcançar sabedoria; e tomou do seu fruto, e comeu; e deu também a seu marido, o qual comeu assim como ela.

Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; então coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.

E ouviram a voz de Jeová Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e o Homem e a sua mulher esconderam-se da presença de Jeová Deus entre as árvores do jardim.

Mas Jeová Deus chamou ao Homem, e disse-lhe: Onde estás tu?

E ele respondeu: Ouvi a tua voz no jardim, e tive medo, porque estava nu; e escondi-me.

E Deus disse-lhe: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que eu te ordenei que não comesses?

E o Homem respondeu: A mulher que me deste por companheira deu-me da árvore, e eu comi.

Então Jeová Deus disse à mulher: Que é isto que fizeste? E disse a mulher: A serpente enganou-me, e eu comi.

E Jeová Deus disse à serpente: Porquanto isto fizeste, maldita serás entre todas as bestas e entre todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida. E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a semente dela; esta te ferirá na cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.

À mulher disse: Multiplicarei grandemente as dores das tuas gravidezes; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele se assenhoreará de ti.

E ao Homem disse: Porquanto obedeceste à voz da tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela; maldita será a terra por tua causa; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos e cardos te produzirá, e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás.

E chamou Adão o nome de sua mulher Eva, porquanto ela era mãe de todos os viventes.

E Jeová Deus fez ao Homem e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu.

E disse Jeová Deus: Eis que o Homem é como um de nós, conhecendo o bem e o mal; agora, pois, que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva para sempre.

E lançou-o Jeová Deus fora do jardim do Éden, para que lavrasse a terra de que fora tomado.

E expulsou, pois, o Homem; e colocou ao oriente do jardim do Éden querubins e uma espada flamejante que se revolvia por todos os lados, para guardar o caminho da árvore da vida”.

Génesis 3:1-24

INTERPRETAÇÃO:

As duas forças que imperam no Universo são as forças do bem e do mal. O flautista que representa o bem é Deus, porque as suas melodias orientam-se para fazer brotar o mundo multicolor que impulsiona a existência do amor e da empatia para com os outros, quer seja a Natureza, o mundo animal ou a interação do Homem com o Homem.

A obra do mal contém a doutrina dos poderosos e daqueles que anseiam sê-lo, ainda que não sejam senão seus lacaios. Todos servem e lutam por estabelecer uma ordem oposta à doutrina do bem. A grande mãe do mal é Satanás, a serpente. Ela está sempre envolvida e presa à fluidez do mal que brota das profundezas da maldade e da mentira. Assim, permanece a morder com a sua língua venenosa.

Ao buscar as razões que levaram Lúcifer à doutrina do mal, encontra-se o seu desejo de desvincular-se do mundo da moral, ressituando-se no contexto da Natureza primária e selvagem, aquela em que o peixe grande come o pequeno. Para Lúcifer, a moral imposta, em parte por uma Natureza progressiva e fiel às leis da metafísica (os 24 anciãos), e ampliada por Deus na sua obra da criação para dar lugar a um Homem com uma nova consciência que lhe abrisse as portas do Céu, constitui um atentado contra a liberdade, defendendo assim o relativismo moral. Ele alude à natureza do poder, desprezando categoricamente os pobres de espírito. A capacidade concedida pela Natureza ao indivíduo deve ser usada sem reservas, sem considerar a vulnerabilidade do outro, atribuindo à própria Natureza a responsabilidade por não ter concedido ao mais fraco a força necessária para se impor. Para Satanás não há homens bons nem maus; a vida afirma-se abrindo caminho e impondo-se. A lei do mais forte.

Assim é possível que, a partir disto, se estabeleçam grandes desigualdades sociais, nas quais uns poucos detêm as maiores riquezas, outros vivem comodamente, a maioria vive na pobreza e muitos morrem de fome. Em consequência deste facto, a vida passa a mover-se por interesses, conflitos, guerras, caos e destruição.

Perante uma situação assim, não agir é participar na negação da vida. No desenrolar dos acontecimentos, numa sociedade deste tipo, ninguém será salvo.

É necessário governar este reino do mundo segundo estes pontos de vista e, para tal, a serpente sugere a Eva que coma da Árvore da Ciência do Bem e do Mal, empregando o recurso de direcionar a atenção para o ego e para o poder, a fim de lhe permitir vislumbrar uma equiparação a Deus. E, para esse propósito, “a serpente era astuta, mais do que todos os animais do campo que Jeová Deus tinha feito”.

Para compreender a metáfora de “os animais do campo”, importa reconhecer que, no âmbito da mística, o homem é considerado um animal: nasce, luta pela sua existência, cumpre o seu ciclo de vida e morre. Carece do elemento mágico da imortalidade, reservado apenas aos anjos. A transmissão de uma consciência que conduza o Homem a essa condição realiza-se através da criação da terra, a Vis Medicatrix, já mencionada em capítulos anteriores. Esta Vis Medicatrix, ou “terra”, animal, é a que conduzirá o Homem ao Céu. São estes os “animais do campo”, pois estão fora da cidade — a nova Jerusalém, de que nos fala o Apocalipse — isto é, fora da condição do Homem que deixou a vida terrena para se situar no plano celestial. Fora deste contexto da “cidade” como templo divino, vive-se no campo.

 

“E nela não vi templo, porque o Senhor Deus Todo-Poderoso é o seu templo, e o Cordeiro.

A cidade não necessita de sol nem de lua para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a ilumina, e o Cordeiro é a sua lâmpada.

as nações que houverem sido salvas andarão à sua luz; e os reis da terra trarão para ela a sua glória e honra.

As suas portas nunca se fecharão de dia, porque ali não haverá noite.

E para ela trarão a glória e a honra das nações.

E não entrará nela coisa alguma que contamine, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro”.

Apocalipsis 21:22-27

 

As religiões consideram a natureza humana como orientada pela sua essência mais profunda e que essa essência-alma perdura para sempre. Neste terreno especulativo, o facto de se ocultar no ilusório faz parte da natureza da mística deste mundo. Abandonar a via de todos esses funcionários religiosos constitui a base para começar a buscar o princípio fundamental da conceção da Natureza e a origem da vida no seu percurso evolutivo, que dá lugar aos fenómenos reais que nela contemplamos. É necessário harmonizar as experiências empíricas com as denominações racionais e estabelecer uma ordem metafísica. Neste sentido, o único corpo doutrinal que subsiste e prevalece é o do Antigo e do Novo Testamento, disso dando testemunho os profetas e os apóstolos. A obra doutrinal que se contempla na Bíblia contém os elementos necessários para a transmissão da doutrina do Céu e da forma de a ele chegar. O pecado original constitui o triunfo da serpente, pois concede-lhe pleno direito de acesso à Árvore da Ciência do Bem e do Mal. A partir deste acontecimento, ela torna-se o príncipe deste mundo.

 

“Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno”.

1 Juan 5:19

 

O Homem deixa de estar nu e é revestido com as vestes do Maligno, isto é, com a doutrina do mal. Deste modo, a vida passa a decorrer sob a orientação do Maligno: a nossa doutrina, o nosso pensamento, a nossa forma de amar, os nossos desejos, as nossas enfermidades e os nossos demónios fazem parte da sua obra. Esta leva o Homem a assumir as religiões cheio de obsessões ilusórias, vivendo uma realidade virtual imposta por Satanás.

“Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; então coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais”.

Génesis 3:7

 

A contemplação é a via da solidão e do silêncio. Este caminho afasta-nos da dinâmica interior proporcionada pelas atividades da roda da vida: música, educação, desporto, alimentação idónea, medicina natural e relações. Esta é a base que garante o desenvolvimento metafísico do Homem e o faz viver a experiência da abertura das portas do Céu. Quem assim reconhece a sua filiação na roda da vida conecta-se com a sua mãe, a grande Mãe do Universo, o Verbo, que o reconduz ao Verbo feito carne, o Pai Deus. Deste modo, não oferece qualquer ponto vulnerável, nenhum ponto que o conduza perpetuamente ao pó da terra, “porque pó és e ao pó tornarás”.

É preciso agir, porque antes de sufocar a consciência no silêncio e no ilusório, é necessário expandir-nos pela ação mágica da roda da vida; e assim deixarmos de ser enganados pela serpente, pois quem bebe do leite da serpente converte-se em serpente e acaba por viver maldito no pó da terra, depois de ter vivido a arrastar o peito pela vida.

 

“E Jeová Deus disse à serpente: Porque fizeste isto, maldita serás entre todas as bestas e entre todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida”.

Génesis 3:14

 

Cada doutrina possui a sua moral subjacente, mas a única moral válida é aquela que leva os homens a agir retamente. Por isso, por mais que se fale de empatia e de amor para com os outros, de nada servirá se, ao vermos no mundo desigualdades sociais, fome, violência, guerras e destruição do ecossistema, nada fizermos para reverter essa situação. Assim, essa moral de boca combate com espada romba, produzindo o efeito contrário ao que proclama; e, tal como não há luz sem sombra, não há verdadeira empatia quando falta firmeza. Quem aprecia o amor verdadeiro age com determinação diante da injustiça. Por isso, quem não luta contra a injustiça pratica uma moral decadente, afastando-se do que é autêntico. O recurso à força é a via do homem sem consciência. Aqui, o mais forte impõe a sua lei e abusa do seu poder, e os de baixo submetem-se aos de cima. A vida manifesta-se individualmente sob a batuta do Eu e, por isso, nada lhe resiste perante a fragilidade do outro. Assim, pela ação mundana de Eva, subjugada às forças satânicas, instaura-se uma dinâmica em que prevalece o mundo dos fortes, que escuta a natureza selvagem e governa sob a batuta de quem detém maior força e poder.

“E porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua semente e a semente dela; esta te ferirá na cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.

Génesis 3:15

 

A mulher, atormentada perante a debilidade física face à força bruta do homem, responde com resistência passiva à opressão do poder e procura rebelar-se. As vestes da mulher maltratada são muito elegantes e requintadas, mas todas ocultam um punhal no cinto; e o que então prevalece é uma psicologia de defesa e resistência. Quanto mais o homem recorre à força bruta, tanto mais ela utiliza a sua psicologia com astúcia e rebeldia, conduzindo-o à sua própria simplicidade e tornando-se, assim, cada vez mais radical. Assim, quando o simples governa, surgem conflitos e as sociedades destroem-se; e o governador das trevas perde o reino da terra, porque a semente de Eva o feriu na cabeça. O mundo tornou-se corrompido, pois o homem provoca cizânia e divisões, dando lugar a lutas religiosas, partidárias e entre nações.

No âmbito da humanidade, os dois polos, homem e mulher, devem relacionar-se entre si, penetrando profundamente na biologia dos arquétipos terrestres e celestes; e, se no homem predomina a oratória, a mulher é potencialmente mais intuitiva, possuindo um sexto sentido que a leva a dominar a relação homem-mulher. É por isso que, na tentativa de comer da Árvore da Ciência do Bem e do Mal, a serpente se dirige à mulher, elaborando um sistema tático-estratégico, sabendo que o maior adversário a vencer é ela; e, enganando-a, leva-a a comer do fruto, pois, se ela cair, o homem também cairá pela mão dela.

 

“E o homem respondeu: A mulher que me deste por companheira deu-me da árvore, e eu comi”.

Génesis 3:12

 

De forma unilateral, a mulher rejeita com bastante dureza a debilidade do homem e, na sua intuição mais profunda, vê-o como um pensador de mente simples, que despreza, mergulhando num fatalismo pessimista que tem impregnado a sua vida. Ela encontra-se só, coxa, falta-lhe a sua outra parte; foi ferida no calcanhar.

 

“E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a semente dela; esta te ferirá na cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.

Génesis 3:15

 

Simples e lealmente, como mais uma chefe de família, é a corrente espiritual que lhe marca o tempo numa viagem agitada, exposta à simplicidade do seu companheiro de jornada e à força bruta que dele emana para a dominar. As relações homem-mulher começam sempre com a magnífica rapsódia do organilho do amor e acabam no rio das diferenças, quando não se protegem dos avatares próprios da vida. O contraste entre a joia interior da intuição e o aspeto grosseiro manifestado da simplicidade destaca-se com grande relevo. Acima de qualquer oposição, como a dita e a desdita da vida, está a da gravidez: a de trazer ao mundo filhos simples e brutos, aceitando com resignação o pai dos seus filhos, fazendo-lhe concessões e colocando-se abaixo dele.

 

“À mulher disse: Multiplicarei grandemente as dores nas tuas gravidezes; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele se assenhoreará de ti”.

Génesis 3:16

 

A essência do homem parte da posse de uma grande capacidade para governar a vida e a sociedade, com uma acentuada ênfase na autoridade. Ele deve ter nas suas mãos os fios que tudo movem e manter sempre uma atitude prudente, sendo ao mesmo tempo capaz de se mover entre os alvoroços do mundo. Em consequência do pecado original, o homem empreende um peregrinar ao monte da simplicidade, guiado por uma profusão de saberes externos que brotam do reino das trevas. O homem é transformado numa marioneta ao serviço da serpente, com a perda da estima pela vida, substituída pelos prazeres mundanos e pelo sexo. Assim, como consequência disso, o mundo permanece constantemente agitado, com sinais de conflitos e guerras, não deixando de depender dos acontecimentos trágicos decorrentes dos seus próprios atos.

 

“E ao homem disse: Porquanto obedeceste à voz da tua mulher e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela; maldita será a terra por tua causa; com dor comerás dela todos os dias da tua vida”.

Génesis 3:17

 

As manifestações das forças polares originam situações estáticas, e apenas o retorno ao Éden trará consigo que sejamos mão em vez de mãos (Evangelho de Tomé) e levaremos o androgenismo sobre a nossa fronte; e assim o homem voltar-se-á para a mulher, tornando-se intuitivo; e a mulher voltar-se-á para o homem, tornando-se governante. Agora, os dias que o Homem vive decorrem segundo a lei inerente que resulta do pecado, gerando-lhe situações desprezáveis que se materializam e se desenvolvem no mundo dos conflitos, fora do âmbito da cidade, a Nova Jerusalém, isto é, da consciência. E comerá o que se planta no mundo, o ‘campo’, que não são senão problemas e conflitos.

 

“Espinhos e cardos te produzirá, e comerás as plantas do campo.”.

Génesis 3:18

 

É lógico que estas definições nos conduzam inevitavelmente pelo caminho que leva ao sofrimento, e que todas as aspirações se tornem obcecadas, porque há sempre um problema que nos arrasta e se vive a experiência do esforço que custa levar a vida adiante. Assim, deste modo, a vida torna-se sempre algo relativo, correspondendo à condição própria de cada indivíduo. Em geral, os seres humanos abordam os assuntos deste mundo: uns defendendo uma sociedade mais justa e equitativa, e outros defendendo uma sociedade de castas e de ultra-ricos que desviam o coração humano do profundo para o rasteiro, emulando a doutrina da serpente e recebendo dela a recompensa neste mundo, onde comerão o pão sem o suor do seu rosto.

 

“Com o suor do teu rosto comerás o pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás”.

Génesis 3:19

 

Chegámos a um ponto em que o homem, no seu afã de explorar os recursos naturais para se enriquecer, está a destruir a Natureza. Isto permite vislumbrar um mundo de fábula onde um fatalismo pessimista impregna a vida por inteiro, e as expectativas de o transformar se desvaneceram. Este pensamento de ultra-direita, que se apoderou das pessoas, atua como um fermento dissolvente que corrói a humanidade. Contudo, Deus tem nas suas mãos os fios que tudo movem e, face a este tipo de pensamento, que é a origem de todos os males, Deus acabará por eliminá-lo. Assim, o homem deve ter presente que os defensores da tirania do mundo darão de rosto com o pó da terra. Entretanto, enquanto tudo isto se cumpre, a moral praticada pelas religiões bíblicas, tanto do Antigo como do Novo Testamento, constitui o suporte mais útil para a manutenção de uma certa ordem social e para a continuidade da vida na Terra.

 

“E chamou Adão o nome de sua mulher Eva, porquanto ela era mãe de todos os viventes”.

Génesis 3:20

 

Do mesmo modo que o homem age mal ao agir contra a Natureza, Deus procura revesti-lo com um certo traje moral, a fim de evitar a sua própria destruição até que a corrente mágico-religiosa do plano de Deus venha a criar raízes. A Árvore da Ciência do Bem e do Mal deixa para isso uma porta aberta. E, ao contrário da Árvore da Vida, que coloca o homem no statu quo de anjo, na Árvore da Ciência do Bem e do Mal o homem não deixa de ser um animal vivente, porque nasce, vive e morre como tal. É por isso que Deus o veste com túnicas de peles.

 

“E Jeová Deus fez ao homem e à sua mulher túnicas de peles, e vestiu-os”.

Génesis 3:21

 

O desejo da imortalidade é a busca da pérola vermelha, que, como uma bola mágica, vai indicando o caminho que conduz ao conhecimento da vida eterna; e o acesso à Árvore da Ciência do Bem e do Mal marca, para o Homem, o início da desgraça. Tal acesso denota a expressão estereotipada da consciência e do conhecimento. Ali onde os seres estão devidamente equipados para a doutrina do mal, a lei da selva, onde o peixe grande come o pequeno, instala-se, sem dúvida, a deriva ultra-capitalista.

 

“Então Jesus disse aos seus discípulos: Em verdade vos digo que dificilmente entrará um rico no reino dos Céus.

E outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus”.

Mateo 19:23-24

 

No total, nove em cada dez pessoas atentam contra a doutrina do Bem.

Os comunistas impõem leis ditatoriais que atentam contra a essência do Homem. O mundo vive num sofrimento contínuo, com mais sombras do que luzes, onde o supremo e o verdadeiro ficam abaixo de toda essa mundanidade, e a via vermelha é convertida na via eclipsada, porque pretendem eclipsar a ordem natural, manifestando-se abertamente contra ela e querendo até proibir tudo o que não seja científico. A essência daquilo que é científico é a que encontramos na Árvore da Ciência do Bem e do Mal. Esta árvore encerra a semente destinada a pôr termo ao Homem.

 

“Mas da Árvore da Ciência do Bem e do Mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”.

Génesis 2:17

 

As duas forças mais destrutivas da natureza humana são: um dogmatismo exacerbado de uma ciência a preto e branco, que degrada a saúde e a natureza do organismo; e a outra é uma desvinculação da moral, aplicando um relativismo que corrói tudo. Quem estima a vida trata-se com a medicina da Natureza. Quem aprecia o amor não vai contra a natureza. E quem aprecia a justiça afasta-se do sectarismo. O Homem que assim vive não pode conciliar os estereótipos com a imortalidade, porque, se assim fosse, não só destruiria a Terra, como acabaria por destruir o Universo.

 

“E disse Jeová Deus: Eis que o Homem é como um de nós, conhecendo o bem e o mal; agora, pois, que não estenda a sua mão, e tome também da Árvore da Vida, e coma, e viva para sempre”.

Génesis 3:22

 

Quem conduz a vida sem a respeitar não tem consciência nem coração. As energias de que o organismo dispõe esgotam-se, arrastando-o para a roda dos acontecimentos e das enfermidades, e acabam por conduzi-lo à morte. Agitar-se, petrificar-se e acabar no pó é o destino daqueles que comem da Árvore da Ciência.

 

“Jeová o lançou fora do jardim do Éden, para que lavrasse a terra de que fora tomado”.

Génesis 3:23

 

Determinar limites para fixar o que é inacessível é o modo como Deus impede que o Homem aceda à Árvore da Vida. Para isso, a Árvore da Ciência do Bem e do Mal converte-se no campo de batalha que altera os conceitos próprios e verdadeiros da Árvore da Vida, instaurando um estado que não permite ver a realidade da vida. Deus considera esta humilhação forçada como caminho de um sofrimento que leve o Homem a tomar consciência. A ignorância é a fonte exclusiva de todos os males e devia ser mantida. Esta constitui o núcleo da realidade do Homem, mergulhado na desgraça, na enfermidade e na morte, que têm origem na Árvore da Ciência do Mal, controlada pelo grande tirano do mundo.

 

“E lançou fora o Homem, e pôs ao oriente do jardim do Éden querubins e uma espada flamejante que se revolvia por todos os lados, para guardar o caminho da Árvore da Vida”.

Génesis 3:24

 

A QUINTA TROMBETA

 

“E o quinto anjo tocou a trombeta, e vi uma estrela que caiu do céu à terra; e foi-lhe dada a chave do poço do abismo”

Apocalipsis 9:1

 

Com o avanço da tecnologia e a nova era industrial surgiram os novos gurus do capitalismo. Este sistema, tal como está concebido, permite que alguns se tornem multimilionários, ao mesmo tempo que outros morrem de fome. O princípio da justa medida na criação de uma sociedade baseada na equidade, isto é, que uns não tenham tanto e outros não fiquem sem nada, constitui o propósito de Deus.

 

“E sairá uma vara do tronco de Jessé, e um renovo brotará das suas raízes.

E repousará sobre ele o Espírito de Jeová; espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor de Jeová.

E deleitar-se-á no temor de Jeová. Não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos; mas julgará com justiça os pobres, e repreenderá com equidade os mansos da terra; e ferirá a terra com a vara da sua boca, e com o espírito dos seus lábios matará o ímpio. E a justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade o cingidor da sua cintura”.

Isaías 11:1-5

 

Esta antiga profecia do profeta Isaías faz parte da corrente apocalíptica, que manifesta um princípio de mudança e transformação na sociedade. Assim, a “queda de uma estrela do Céu à Terra” é reconhecida como metáfora do mandato divino do Céu, que atua com uma força viva imanente, outrora adormecida, que agora desperta a Terra, o 9 VM, “a via vermelha”, pondo em marcha a profecia de Isaías: as leis da equidade. Estas leis marcarão o início do Céu na Terra. O 9 VM tem a virtude e o potencial de agir com vara de ferro sobre barro de oleiro, obrigando os homens a respeitar estas leis equitativas, porque lhe foi dada a chave do poço do abismo.

AS LEIS DA EQUIDADE

  1. Estabelece-se o limite máximo de 100 milhões de dólares para a riqueza individual.

“Esta lista de multimilionários baseia-se no ranking anual das pessoas mais ricas do mundo. Este ranking tem por base a revista Forbes, que estima a riqueza de cada indivíduo em dólares num determinado dia, podendo esse valor variar em função das flutuações dos investimentos.

  • A pessoa mais rica do mundo

Estatísticas

De acordo com a RAE, a palavra “milhar de milhões” é a que expressa a quantidade de mil milhões. A bolha da Internet deu origem a grande parte das fortunas de alguns dos multimilionários. No entanto, após o rebentamento da bolha, a origem das maiores fortunas diversificou-se. As fortunas dos multimilionários acusaram a crise financeira do final da década de 2000. O ano de 2009 foi o primeiro, após cinco anos consecutivos, em que o número líquido de multimilionários diminuiu. Os bons resultados dos mercados financeiros e a recuperação global da economia neutralizaram as perdas. A maioria dos mais ricos voltou a ver as suas fortunas crescer nos últimos anos.

Año Número de milmillonarios Valor neto global del grupomil millones
2024 2781 $14,2
2023 2640 $12,2
2022 2688 $12,7
2021 2765 $13,1
2020 2095 $8,0
2019 2153 $8,7
2018 2208 $9,1
2017 2043 $7,7
2016 1810 $6,5
2015 1826 $7,1
2014 1645 $6.4
2013 1426 $5,4
2012 1226 $4,6
2011 1210 $4,5
2010 1011 $3,6
2009 793 $2,4
2008 1125 $4,4
2007 946 $3,5
2006 793 $2,6
2005 691 $2,2
2004 587 $1,9
2003 476 $1,4
2002 497 $1,5
2001 538 $1,8
2000 470 $898

 Fonte: Forbes”.

Anexo: Milmillonarios según Forbes (Wikipedia)

 

  1. Estabelece-se em toda a Terra um salário mínimo vital e o direito a uma habitação.
  2. Respeita-se absolutamente a propriedade privada e elimina-se o movimento ‘okupa’.
  3. Respeita-se o livre pensamento de doutrinas, ideologias e religiões, bem como a liberdade individual na forma de abordar a saúde e a doença, sem que ninguém seja obrigado a qualquer prática médica, como vacinas, fármacos, etc.
  4. Não se fazem juízos arbitrários, não se levantam boatos, nem se divulga informação tendenciosa.
  5. Não se invadem países nem se roubam os seus recursos. Estabelece-se uma lei contra a ociosidade e a delinquência.

 

“E abriu o poço do abismo, e subiu fumo do poço como fumo de um grande forno; e escureceram-se o sol e o ar por causa do fumo do poço”.

Apocalipsis 9:2

 

O fundo mais íntimo da sua essência imprime o impulso para que as sementes das Leis da Equidade venham à luz. É o grande flautista com a sua flauta encantada, que vai tocando duas melodias: uma orientada a forçar uma mudança de atitude, e a outra, se houver resistência à mudança, a pôr termo à existência. É então que se entra num estado em que “se deita fumo” e “aquece como um forno”: “e subiu fumo do poço como fumo de um grande forno”.

É lógico que tais padecimentos conduzam a uma perda das expectativas da vida, a uma perda de luz, e que os ares que cada um traz consigo se tornem instáveis: “e escureceram-se o sol e o ar por causa do fumo do poço”.

 

“E do fumo saíram gafanhotos sobre a terra; e foi-lhes dado poder, como têm poder os escorpiões da terra”.

Apocalipsis 9:3

 

O mundo dos padecimentos transforma-se sempre no mundo do mal, porque conduz os homens a um labirinto de erros. As perceções deixam de ser ideias boas e, como se diz na linguagem popular, a pessoa fica de maus fígados, surgindo então uma atitude frenética, obcecada pelo desejo, que tenta suprir o cenário dos padecimentos.

O eu individual sente um desejo permanente e imparável de se apoderar dos recursos do outro. Aqui a guerra está servida e os seus sons começam a ressoar. O fumo do poço do abismo não é cortina alguma, mas sim a medida que garante a convivência do ser humano, baseada numa sociedade livre e equitativa. É por isso que saíram gafanhotos sobre a terra, fazendo clara alusão a uma das dez pragas enviadas por Deus ao Egipto.

 

“Então Moisés estendeu a sua vara sobre a terra do Egipto, e Jeová trouxe um vento oriental sobre o país todo aquele dia e toda aquela noite; e, ao chegar a manhã, o vento oriental trouxe os gafanhotos.

E os gafanhotos subiram sobre toda a terra do Egipto e pousaram em todo o país do Egipto em tão grande quantidade como nunca houvera antes, nem haverá depois.

E cobriram a face de toda a terra, de modo que a terra se escureceu; e consumiram toda a erva da terra e todo o fruto das árvores que o granizo havia deixado; não ficou coisa verde nas árvores nem na erva do campo, em toda a terra do Egipto”.

Éxodo 10:13-15

 

É preciso atuar para que brote a semente da justiça, facilitando assim vencer as forças do mal sem grande dificuldade. E, na medida do possível, pôr termo ao inimigo sem sequer sair pela porta, sem que lhe sirva de nada agitar os braços.

Quem estima a justiça atua e tem propósitos. Ninguém pode passar ao lado das desgraças dos outros por causa da avareza. A vida necessita de ser solidária, porque gera amor, nutre, multiplica, cuida, realiza, mantém e ampara todos os seres, e faz com que os Homens determinem os seus limites.

O sábio, pela sua conexão com o sentido universal, é consciente de que o mundo deve ser modelado. Por isso mostra-se favorável à ação que traga a justiça e a equidade. Nada mudará pelo simples facto de apontar o dedo aos poderosos e astutos avarentos, porque a sua natureza advém de um egoísmo intrínseco que desvia o coração humano para a ostentação, o luxo e a soberba. Isto revela um ponto de vista: que, para alcançar os seus objetivos, as suas ações são nocivas para a sociedade e provocam conflitos, cizânias e guerras.

Deus emprega o modo de modelar os Homens que considera justo. A sua obra ao criar a “terra” descreve-se no Apocalipse sob a forma de metáfora. Aqui revela-se que a equidade está acima dos antagonismos dos poderosos e sabe pôr em prática, no momento oportuno, a fórmula para estabelecer estes mecanismos que atuam a partir da 9 Vis Medicatrix, a “terra”, que se revolta contra aqueles que incumpram as Leis da Equidade, como juiz de si mesmo, tal como acontece numa enfermidade autoimune, emitindo radiações e convertendo o organismo num inferno sinistro: “e foi-lhes dado poder como têm poder os escorpiões da terra”.

 

“E foi-lhes ordenado que não causassem dano à erva da terra, nem a qualquer coisa verde, nem a árvore alguma, mas somente aos Homens que não tivessem o selo de Deus nas suas frontes”.

Apocalipsis 9:4

 

A influência das ideias, doutrinas e religiões que foram criando raízes nas pessoas, “a erva da terra”; ou daqueles que se mantêm à margem de ideologias e doutrinas, ateus, céticos ou indiferentes, “nem a coisa verde alguma”, porque não amadureceram em nada; ou daqueles que amadureceram no seu próprio pensamento filosófico, “nem a árvore alguma”, estes estão fora do dano; mas somente fossem atingidos os Homens que não tivessem o selo de Deus nas suas frontes.

A doutrina de Deus é a que deriva da experiência mística resultante da prática do amor para com os outros, de ajudar os mais necessitados e vulneráveis. É um estado em que o coração do Homem é o coração dos outros, e isso denota um cântico às Leis da Equidade. Estes são os que têm o selo de Deus na fronte. Aqueles que carecem do selo de Deus são os que se declaram contrários a esta doutrina e exercem ativamente a sua oposição a essas Leis da Equidade.

 

“E foi-lhes dado, não que os matassem, mas que os atormentassem cinco meses; e o seu tormento era como tormento de escorpião quando fere o Homem”.

Apocalipsis 9:5

 

O sentido da aplicação de uma boa moral consiste em cultivar o cuidado de não se deixar cair no desejo de ostentações luxuosas e de dinheiro, que leve a posicionar-se contra as Leis da Equidade, e apenas aceitam uma dessas seis regras: respeita-se absolutamente a propriedade privada e elimina-se o movimento ‘okupa’. Segue-se que o número de cinco meses coincide com o número de regras alteradas, sendo o mês, ao mesmo tempo, uma metáfora sobreposta a outro significado. Aqui os meses são disposições periódicas que constituem o ano e que preenchem a nossa vida. Neste sentido, o mês faz alusão a um período da vida que pode terminar no momento da mudança de critério, ou prolongar-se por anos, num sofrimento permanente.

 

“E naqueles dias os Homens buscarão a morte, mas não a encontrarão; e desejarão morrer, mas a morte fugirá deles”.

Apocalipsis 9:6

 

A flauta talâmica que toca o som do sofrimento fará brotar uma vibração que oscila entre 3 e 5 graus de agressão, numa escala de 1 a 10, sendo o grau 7 objeto de morte.

 

“O aspeto dos gafanhotos era semelhante ao de cavalos preparados para a guerra; nas suas cabeças tinham como que coroas; e os seus rostos eram como rostos humanos”.

Apocalipsis 9:7

 

O sofrimento, o desequilíbrio e a enfermidade são a fonte impulsionadora que move o mundo da guerra. Alguém que está desequilibrado ou que sofre fica de muito mau humor e cria conflitos. E estas manifestações casuísticas alteram sempre a ordem social. A partir daqui pode deduzir-se que estas alterações emanam dos mais ricos e poderosos: “nas suas cabeças tinham como que coroas”; e de algo que não existe como tal, os gafanhotos, que se revela como a realidade do que é: “os seus rostos eram como rostos humanos”.

 

“Tinham cabelos como cabelos de mulher; os seus dentes eram como dentes de leões”.

Apocalipsis 9:8

 

Quanto mais abundarem as finalidades e intenções que nos impulsionam a explorar o mundo, tanto mais brotarão as seduções ligadas aos meios de informação, e começaremos a escutar os argumentos que justificam os atos de apropriação dos bens do outro; e, como uma rameira que solta os cabelos, prostitui-se a verdade, e diluem-se as diferenças entre o que está mal e o que está bem. Então, ali onde desembocam os desejos, os poderosos leões cravam os seus dentes.

 

“Tinham couraças como couraças de ferro; e o ruído das suas asas era como o estrondo de muitos carros de cavalos correndo para a batalha”.

Apocalipsis 9:9-10

 

Não é preciso ser muito perspicaz para reconhecer as coisas que saltam à vista e perceber que aqueles que estão ligados à guerra se preparam com uma boa couraça: por um lado, mísseis balísticos, armas militares autopropulsadas cujas trajetórias se dividem em duas fases: uma primeira fase propulsada (motor ativo) e uma segunda fase balística (guiada pela gravidade e pela inércia, sem propulsão); e, por outro, um escudo antimíssil, concebido para intercetar mísseis inimigos antes de chegarem ao seu destino. Para garantir a vida no planeta, é preciso pôr fim a este movimento bélico que incumpre cinco das seis regras da equidade; e, como foi explicado anteriormente, o facto de se falar em ferir os Homens durante cinco meses não é mais do que uma metáfora que traz implícita a necessidade de pôr fim a este mundo ultraliberal e belicista.

 

“E têm por rei sobre si o anjo do abismo, cujo nome em hebraico é Abadón, e em grego, Apolião”.

Apocalipsis 9:11

 

A liberdade, a ordem natural, a paz, a justiça e a equidade são o princípio fundamental do Céu. Todos os males deste mundo provêm de não respeitar estas regras. O manancial de vida deixará de correr se não se aplicar a máxima que consiste em satisfazer apenas as necessidades autênticas e vitais, evitando a glória vã e a ostentosa mania de enriquecer, desligando-nos das forças do mal e do seu anjo do abismo: “em hebraico é Abadón, e em grego, Apolião”, que significa destruidor.